Conto: Aos Olhos da Obsessão - A Beleza do Sangue

07 dezembro 2015

Olá docinhos, tudo bem com vocês?



  Há muito tempo eu escrevo história (desde os 11 anos), porém, elas sempre terminam sem um final porque eu não tenho coragem de dar um fim a elas, em meio a essas histórias nasceram também alguns contos (os quais tem final, não se preocupem) e eu pensei muito se deveria ou não postar aqui pois com a visão "fofinha" do blog poderia ficar meio estranho já que eles costumam ser de terror, suspense ou policial (um romance é meio raro kk). Mas então eu vi que, se faz parte de mim escrever eles e eu gosto de espelhar o blog em mim, eles também deveriam ter seu espacinho aqui.

  Esse foi escrito em 2013 e foi o primeiro, de uma mini série de contos que eu estou desenvolvendo, espero que gostem ♥ não se esqueçam de me contar o que acharam nos comentários, eles são muito importantes para mim.

  É um pouco grandinho, por isso clique em "Continue Lendo"  e venha conferir!


| Nome: Aos olhos da Obsessão - A Beleza do Sangue

| Gênero: Criminal

| Data: 2013

(Imagem: We Heart It)

   O investigador David Biankn entrou na sala do interrogatório, era uma sala praticamente vazia exceto pela mesa no centro e um grande espelho escuro fixado na parede lisa e sem vida, apesar de bem iluminado, era um lugar que sempre proporcionava ao investigador certa sensação de claustrofobia, se você olhasse para as extremidades das paredes por muito tempo era quase como se elas encolhessem a sua volta, fechando, apertando e pressionando as pessoas nervosas. Havia policiais naquela sala também, prontos para o caso de algum suspeito tentar uma gracinha, eles seguravam em suas armas ameaçadoramente e mantinham seus olhos vigiando o vazio, quase completamente imóveis. Mas, ele sabia que não tinha o direito de demonstrar tais sentimentos, não diante daquele grande espelho negro, onde por detrás se escondiam os outros investigadores, policias e a família do suspeito, caso houvesse uma confissão, eles estariam assistindo para ouvi-la, assim como a câmera de segurança localizada no alto de uma extremidade da parede, a luz vermelha com seu ocasional liga e desliga demonstrava que estava registrando cada momento daquela sala.

Respirando profundamente, David disse a si mesmo que já estava na hora de começar logo com que tinha para fazer, pois quanto mais rápido desse inicio, mais rápido terminaria. Com curtos e lentos passos ele se aproximou da mesa no centro da sala, puxou a cadeira para si e sentou-se polidamente finalmente fixando seus olhos no suspeito a sua frente a espera de um interrogatório. O tempo poderia ser algo relativo ali, os momentos em que David permaneceu fitando os olhos do suspeito, piscando longamente não teriam passado do que alguns segundos, mas na cabeça do investigador pareceram longas e desconfortáveis horas. Tinha redondos olhos castanhos, cílios longos como o de uma boneca, seu rosto parecia esculpido minimamente, pois cada detalhe parecia suave e acentuado, em sua pele não havia uma única imperfeição, nem uma espinha ou marca sequer. Sua boca era fina e bem desenhada, seus lábios superior e inferior combinavam perfeitamente, eram rosados assim como as maçãs de seu rosto, o qual era emoldurado por cabelos castanhos que se desenrolavam em caracóis em um corte repicado até pouco abaixo de seus ombros. Alessia Calbuch, de 16 anos, abriu um largo sorriso para o investigador, o típico sorriso que a filha de David lhe concedia cada vez que ele chegava em casa.

   -Boa noite investigador – saudou ela formalmente, embora o sorriso não deixasse seus lábios.

  -Boa noite Alessia – disse ele de volta entre outra longa respiração – podemos começar?

  -Tenha a bondade – ela fez um movimento fluido com a mão enfaixada para os papeis que jaziam sobre a mesa. O investigador tomou os papeis em mãos, tentando não demonstrar sua ansiedade, não era novo no ramo no auge de seus 35 anos sendo 15 dedicados a aquele trabalho, mas era a primeira vez que encarava um caso como aquele.

  -Senhorita Alessia, da ultima vez que conversamos, disse que machucou a mão enquanto cortava alimentos, não é mesmo? – disse ele estendendo para ela uma foto do machucado na palma de sua mão.

  -Correto – afirmou a garota sem alterar seu sorriso.

  -Mas, então diga-me, por que seu sangue foi parar na faca que foi usada para matar sua vizinha de 15 anos, Adriana Dignoli? – perguntou ele esforçando-se para que sua voz soasse dura.

  -Não precisa responder se não quiser senhorita – sussurrou audivelmente o advogado para a garota.

   Ele tinha uma aparência jovem e séria, David podia dizer de longe que ele era novo no emprego, e devido a situação financeira da família de Alessia aquilo tinha sido tudo o que puderam pagar, o que certamente facilitava as coisas para David.

   -Aquela foi a faca que eu usei para cortar o alimento – respondeu ela sem vacilar

   -Esta querendo dizer, que Adriana Dignoli era seu alimento Alessia? – instigou o investigador, uma fina gota de suor escorrendo de sua têmpora e depositando-se em seu queixo.

  -Se vai fazer acusações a minha cliente, vou pedir que este interrogatório seja adiado até que outro investigador assuma – ameaçou o advogado com cenho franzido.

  -Minha mãe te pagou para me acompanhar – respondeu Alessia bruscamente para o advogado, com uma voz dura e fria – então aja como um acompanhante, só fale quando falarem com você.

  O advogado abriu a boca para protestar, provavelmente dizer a ela que ela era uma menor de idade e não tinha o direito de lhe ordens, mas os pais de Alessia haviam prometido colaborar com a investigação, então, ele rapidamente se calou.

   Alessia levantou-se da cadeira suavemente curvando-se sobre a mesa para que sua proximidade se torna-se mais intimida com a do investigador que se imobilizou imediatamente devido ao susto do movimento. Os policiais também pareceram enrijecer bem como deram um passo a frente prontos para qualquer ameaça.

  -Quer que eu lhe conte o que quero dizer? – sussurrou ela, baixo o bastante para que apenas ele pudesse ouvir – A beleza dela se tornou a minha beleza.

  Após dizer isso, Alessia aproximou-se um pouco mais do investigador, seus lábios encontraram a face de David onde ela, delicadamente depositou um beijo ali, isso fez os policiais se movimentarem rapidamente para tentar afasta-la, mas quando tocaram na garota ela já estava sentada em sua posição inicial, novamente com o sorriso no rosto.

  -Sabe o que significa meu nome investigador? – perguntou ela olhando para cada um dos policiais  com uma expressão divertida no rosto.

  -Não Alessia eu não sei – respirou profundamente o investigador, ao que parecia aquele interrogatório não seria rápido, mas desde que conseguisse uma confissão, valeria a pena – por que não me conta?

   -Alessia – repetiu ela deliciando-se com cada som que a palavra produzia – ele vem do latim sabia?  Significa “aquela que protege”.

  -A quem você teria de proteger Alessia? – disse David olhando profundamente nos grandes olhos  castanhos da garota que agora o fitava.

  -Não seria exatamente a quem, mas o que. Senhor investigador, tem mais do que vinte anos, eu posso ver isso nas rugas em seus olhos, você é um homem bem preocupado, não? Vive apertando os olhos... – ela riu baixo, como se tivesse acabado de lhe contar uma piada, mas sua expressão imediatamente mudou para séria com suas próximas palavras – É um homem bonito senhor, mas aposto que quando tinha minha idade era bem mais bonito, a beleza vai nos abandonando aos poucos, não acha? Eu mesma já não seria tão bonita quanto era aos meus 15 anos...se não tivesse descoberto um modo de conservar minha beleza, eu serei assim para sempre, sabia? Bela e linda, como em meus 15 anos.

  -E qual seria esse segredo para manter sua beleza Alessia? – David desejava poder parecer descontraído – Por favor me conte, pois como disse você, eu estou ficando velho.

  -Como estava Adriana quando a encontraram? – disse ela fugindo do assunto anterior.

  -Creio que o investigador que falou com você antes de mim lhe mostrou uma foto dela.

  -Sim ele mostrou – o sorriso ameaçava voltar aos lábios dela enquanto falava – mas, por que o senhor não me conta como ela estava investigador?

  David engoliu em cedo diante da pergunta da garota, de certo que ele havia estado na cena do crime, mas desejava não ter estado, nunca teve a frieza dos investigadores para certas cenas de crimes, preferia o serviço administrativo ao restante.

  -Ela estava... – ele molho os lábios lentamente enquanto procurava as palavras certas – quase irreconhecível, o motivo de sua morte foi um corte profundo em sua garganta, mas não foi apenas isso – outra breve pausa em que ele tentava estudar a expressão da garota enquanto falava – seu cabelo foi cortado por uma tesoura que também foi usada para perfurar seu couro cabeludo. Partes de seu rosto foram mutiladas como o lábio superior e uma bochecha, seus olhos foram perfurados também com a tesoura...

  -O que mais estava errado? – insistiu Alessia já não contendo o sorriso – Conte-me.

  -O assassino...fez profundos cortes em volta de seus seios quase como se quisesse retira-los fora e não tivesse força o suficiente – David balançou a cabeça negativamente – e ela estava cheia de cortes e pequenas mutilações pelo resto de seu copo inteiro, alguns ferimentos até mesmo estavam faltando pedaços de pele.

  Alessia respirou fundo, claramente satisfeita com a descrição do investigador do corpo da vitima, ela inclinou-se novamente para frente, não tão perto quanto da ultima vez, mas o suficiente para fazer com que os policiais ficassem em alerta outra vez.

  -Ela era muito bonita, não era senhor? Seu cabelo preto...todos adoravam os cabelos dela assim como seus olhos, tão azuis e brilhantes, ela era bem evoluída para os 15 anos...assim como eu era, quando eu tinha 15 anos eu era a mais bonita daquela rua...então eu envelheci, e o titulo passou para ela...quer saber como fazer para se manter sempre jovem e belo investigador?

  -Pois claro que sim – respondeu prontamente David não evitando de inclinar-se levemente para frente.

  -Senhorita... – recomeçou o policial, mas foi novamente ignorado pela garota.

  -Alimente sua beleza investigador, assim sempre ficará jovem e belo – a voz dela nada mais era do que um simples sussurro.

  -Como alimentaria minha beleza? – sussurrou ele de volta.

  -Destruindo a beleza dos outros – sussurrou ela – vê como estou mais bela agora do eu antes? É Adriana investigador, ela agora é a fonte da minha beleza, os anos em que ela se conservaria jovem passaram para mim...agora são meus.

  Os olhos de Alessia se dilataram visivelmente enquanto ela falava, como se a lembrança do acontecimento a fizesse ter uma sensação semelhante a de usuários de drogas. Alessia, a garota de apenas 16 anos estava obsecada, e sua obsessão que a levou a fazer o que fez e a ter aquele olhar.

  Alessia sentia prazer na sua obsessão assassina.

2 comentários:

  1. Nem preciso dizer que amei e que estou esperando ansiosamente pelos próximos, né? Curiosidade a mil <3

    Beijossss

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    Respostas
    1. Pode deixar Di, vai ter o próximo logo logo ♥

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