Cliques por Ai: Exposição de Rendas Brasileiras no Sesc Belenzinho

24 agosto 2013

  Gente, ontem eu fui visitar a Exposição Renda Brasileira no Sesc Belenzinho, e lá tem muitos exemplos, explicações e até videos pra quem acha que renda é só aquela coisa bem fininha e semitransparente que decora as camisetas.

  Com base nisso, vou postar aqui os tipos de renda que lá são apresentadas, já que nem todo mundo tem como ir.

Renda de Bilro


  De origem europeia, praticada em regiões litorâneas e insulares de Portugal, esta técnica de renda foi trazida para o Brasil por colonizadores e se espalhou pelo país. As rendeiras usam uma almofada sobre a qual colocam um papel grosso, chamado pique, e o perfuram com alfinetes ou espinhos, de modo a compor o desenho da renda. Na ponta de cada fio de linha colocado sobre a almofada, há um bilro ou um peso. O bilro é uma pequena peça  de madeira torneada, podendo também ser confeccionada com outros materiais. Para formar o desenho da renda, as rendeiras movimentam ou "trocam" rapidamente os bilros, de modo a entrelaçar os fios. No Brasil, a renda de bilro é praticada em Santa Catarina e em Estados da região Nordeste, principalmente no Ceará, na Bahia e no Piauí.

Renda Filé


  Suas origens remontam no antigo Egito e à Pérsia. É muito praticada em Portugal, de onde veio para o Brasil. Lá, é considerada um bordado, por ser tecida com agulha e linha sobre uma base preparada previamente pela própria rendeira. Essa base é chamada de malha, a qual parece uma rede de pescar e é presa a um bastidor, de modo a ficar bem esticada durante a produção da renda. Para fazer a malha, as rendeiras usam uma agulha bem parecida com a que os pescadores utilizam nas confecções de suas redes. Costuma-se dizer que onde há pesca, se faz Filé. Os Estados de Alagoas e do Ceará são os principais locais de produção de renda no Brasil.

Renda Frivolité

  O nome e a origem (provável) são franceses, mas, no Brasil esta renda também é chamada de Espiguilha, Pontilha ou Rendilha. O Frivolité é inteiramente feito com os dedos e as mãos, sem utilização de apoios, como almofadas, ou moldes como base. Pode-se utilizar agulha de costura, de crochê ou uma pequena navete onde se enrola a linha. A rendeira segura o fio entre os dedos e movimenta a agulha ou a navete (espécie de lançadeira específica para construção da renda Frivolité, podendo ser de plástico, metal ou material reciclado), fazendo volteios e laçadas que vão formando arcos chamados picôs, com desenhos delicadamente trabalhados. Atualmente no Brasil, esta técnica de renda é encontrada em São Paulo, no Paraná e no Piauí, podendo também ocorrer em outros pontos do país.

Renda Irlandesa


  Tem este nome porque teria sido trazida por freiras irlandesas, mas sua origem, provavelmente, é italiana. O principal núcleo de produção no Brasil é a cidade de Divina Pastora, em Sergipe, cuja renda foi declarada Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), em 2009. Caracteriza-se pelo uso de um fitilho ou lacê (espécie de fita industrial) como suporte, preso ao molde de papel onde se traçou o desenho. Na cidade sergipana de Santa Rosa de Lima, um grupo de artesãs utiliza fibra de bananeira como matéria prima para fazer a renda irlandesa.

Renda Nhanduti


  Também é chamada de Tenerife, por ser este o nome de uma das ilhas Canárias, no território espanhol, onde a técnica surgiu. Os colonizadores espanhóis a trouxeram para o Paraguai, e conta-se que foram as mulheres guaranis que a batizaram de Nhanduti (ñanduti), que significa teia de aranha, por causa da estrutura circular e radial da renda. Também por este motivo, é denominada renda Sol aqui no Brasil. As rendeiras trabalham com um pequeno tear circular, onde tecem delicados círculos que, emendados, foram as peças. A região Sul e o Estado de São Paulo são os principais pontos de produção da renda nhanduti no Brasil.

Renda Renascença


  Surgiu na Itália, na época do Renascimento ou Renascença (daí o seu nome), mas há historiadores que identificam suas origens nas civilizações árabes antigas. Freiras e famílias portuguesas trouxeram a renda Renascença para o Brasil por volta do século XVIII. É tecida com agulha e linha, utilizando como suporte uma fita chamada lacê, presa em um molde onde está traçado o desenho da renda. Os Estados de Pernambuco e da Paraíba concentram a maior produção tradicional de renda Renascença.

  Para quem achou interessante e gostaria de visitar a exposição para saber mais sobre as rendas ao vivo e a cores, a visitação começou dia 23/05 e irá até dia 01/09 e a entrada é franca.

De terça a sexta, das 10h às 21h. 

Sabados, domingos e feriados, das 10h às 19h30. 

Rua Padre Adelino, 1.000 

Belenzinho

São Paulo – SP

Para mais informações, o site oficial está no inicio no post.

Espero que gostem, até a próxima.

Tecnologia do Blogger.